sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Voto de desconfiança


Trinta e seis anos após o 25 de Abril, sonho que se transformou em pesadelo, creio que se pode fazer, com segurança, um balanço histórico relativamente ao papel representado pelos principais partidos da vida política Portuguesa.

Antes de mais, tal como já escrevi aqui várias vezes, é imperioso, por uma questão de honestidade intelectual, dizer que se houve partido com que sempre simpatizei foi o Socialista. Depois passei a dar-lhe simplesmente o benefício da dúvida. Nos últimos anos, vi que estava redondamente enganado.

Vamos então por partes. Consideremos, como principais partidos políticos desde o 25 de Abril, o PS, o PSD, o PCP, o CDS e, mais recentemente, o Bloco de Esquerda. Permitam-me que dê de barato que movimentos como o PRD ou o MDP/CDE ou foram efémeros ou eram, no caso do segundo, uma simples correia de transmissão.

Vou então fazer uma breve análise ao que considero ser a actuação política dos partidos à esquerda do PS. No caso do Bloco, se é verdade que ainda atrai uma franja da população jovem seduzida por quimeras, creio ser um movimento que merece zero de credibilidade. Para mim, não passa de gente que só critica e não apresenta quaisquer soluções. Em suma, esquerda caviar e um partido condenado a desaparecer a curto prazo.

No que se refere aos comunistas, a questão é um pouco mais complexa. Acredito que existe no partido gente bem intencionada e que ainda acredita nos amanhãs que cantam. Esses, porém, ou estão encostados, ou são idiotas úteis ou então são renovadores. O mesmo é dizer que foram expulsos.

Para mim, a história do PC em Portugal é por de mais sinistra. Líderes como Álvaro Cunhal não me merecem qualquer respeito. Considero mesmo que quer o partido quer os seus principais responsáveis prestaram um péssimo serviço a Portugal, contribuindo em primeira mão para sucessivos períodos de instabilidade política e social. Afinal, nada de surpreendente, pois é para isso que os movimentos estalinistas (enquanto Oposição) existem.

Saltemos então para os partidos de Poder, os quais vou pôr no mesmo poleiro – PS e PSD lado a lado. Tudo simples, tudo claro. Na maioria dos casos, gente com fome que, fruto da jogatana política, se tornou milionária. Apenas meia dúzia de nomes: Cavaco Silva, Dias Loureiro, Durão Barroso, Jorge Coelho, Mário Soares, António Guterres e José Sócrates.

Sob a liderança dessa dicotomia centralista, Portugal bateu recordes atrás de recordes – as maiores assimetrias sociais na Europa; uma dívida astronómica e galopante; uma economia arrasada; uma taxa de desemprego avassaladora; uma Função Pública que engole tudo em seu redor; dois milhões de pessoas na miséria, que apenas sobrevivem graças à ajuda do Estado.

Então afinal que conclusão retiro? Uma, que me é dada por um balanço histórico – o CDS foi o único partido que se portou de forma decente após o 25 de Abril. Bateu o pé a uma Constituição miserável e supostamente progressista; lutou contra liberdades excessivas que fariam o Poder cair na rua; não se conhecem casos de enriquecimento ilícito; não hesita em proclamar, alto e bom som, que importa defender a classe média, Portugal e os Portugueses, mesmo que isso custe votos ao partido, injustamente acusado de racismo e um nacionalismo balofo.

Este breve balanço permitiu-me assim chegar à conclusão que o CDS, que é muito mais que Paulo Portas, é o único partido que ainda defende os valores por que sempre propugnei – a Justiça, a Honra, a Dignidade, a Seriedade, a Verdade. Força. Em frente, Portugal!

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