
Quando era pequeno, no tempo do velho Botas, a mamã impunha a concórdia lá em casa com uma frase muito simples: “Aqui, política e religião não se discutem”. E não se discutia. Ponto. E as coisas andavam nos eixos.
Vem isto a propósito de um episódio sucedido em Marrocos, mais exactamente perto de Marraquexe, onde foi preso e expulso do país um missionário americano. Teve sorte, pois arriscava-se a ir bater com os ossos na piltra durante meia dúzia de meses.
O crime do missionário? Estava a tentar evangelizar um grupo de jovens marroquinos, o que é estritamente proibido pela Constituição local, que considera ilegal qualquer acção destinada a desviar um muçulmano da sua religião.
Posso fazer figura de muitas coisas, mas só às vezes e quando estou distraído. Mas há uma que detesto – é de parvo. Então nós aqui andamos com os gajos nas palminhas e lá somos tratados como escória?...
Quer dizer, cá os gajos têm liberdade de culto, andam de burkas e do raio que os parta, construímos mesquitas e tudo para os tipos espalharem chulé à vontade, e a maneira como nos pagam é esta? Queres ver que a mamã tinha razão?...
