
Toda a gente sabe que as finanças públicas portuguesas estão nas ruas da amargura e que, até 2013, as coisas têm de entrar nos eixos e será necessário repor o défice no limiar dos 3%, conforme impõem as regras da zona euro. Para isso vão suceder pelo menos duas coisas – os salários vão baixar e os impostos indirectos aumentar.
O diagnóstico das nossas finanças está feito e a receita está passada – Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, não tem dúvidas: Portugal, Espanha e Grécia terão de baixar os salários dos seus trabalhadores para se tornarem economias competitivas.
O que é que isto significa? Em primeiro lugar que somos uns grandes mangas. Ah pois é, enquanto alemães e holandeses demoram 10 minutos a produzir um copo, nós, os espanhóis e os gregos precisamos de três vezes mais. A solução? Fácil – produzimos menos, ganhamos menos e gastamos menos.
Ora se produzimos pouco e gastamos muito a nossa saída é fácil – pedir emprestado. O problema é que agora o guito está caro e já devemos muito. Se não estivéssemos na zona euro a solução seria fácil: desvalorizava-se a moeda, mas isso agora é impossível. Resultado – só podemos gastar na medida do que tivermos, com um desvio máximo de 3%.
Os cortes no guito vão começar já pela Grécia, mas depois seguem-se Portugal e Espanha. Como se isto não bastasse, vêm aí mais impostos. Quem o diz é Vítor Constâncio, o gajo que toma (mal, muito mal…) conta dos nossos euros.
“A redução do défice implica a contenção da despesa e o aumento dos impostos indirectos”, sugere Constâncio. Mas o que é que isto significa? Simples – mais IVA, e gasolina e tabaco mais caros, por exemplo.
Resumindo, menos guito e tudo mais caro. Tá bonito, tá…
